Porque algumas fêmeas matam seus parceiros ao acasalar

Ao contrário do que muitos pensam as aranhas Viúvas Negras não matam seus parceiros, eles morrem acidentalmente

01/12/2015 | 08:56   
Viúva Negra (Gênero Latrodectus) Viúva Negra (Gênero Latrodectus)

Muitas pessoas não possuem conhecimento sobre esse ato tão estranho e interessante que ocorre no mundo animal, mas de fato acontece. Quer entender como e o porquê? Então vem comigo que conto tudo pra você.

É certo dizer que muitos cientistas ainda não conseguiram descobrir a razão concreta de tal acontecimento, não entendem com precisão os motivos que levam a tal comportamento, que a primeira vista é muito esquisito, mas indo um pouco mais a fundo nesse assunto é possível compreender um pouco melhor.

Esse comportamento foi batizado de Canibalismo Sexual por mostrar uma forma especial de predação, nesse caso uma fêmea mata e em seguida devora seu parceiro sexual após o acasalamento. Tal comportamento pode ser considerado raro, mas é possível encontra-lo em algumas espécies de aracnídeos (como aranhas e escorpiões), e também com insetos como o louva-a-deus. O biólogo Ricardo Pinto de Rocha (USP) afirma que: “Depois de receber os espermatozoides, a fêmea deixa de ver o macho como um parceiro sexual”. Uma das hipóteses para explicar essa atitude das fêmeas seria de que, ao comer o macho ela estaria gerando uma fonte extra de alimentos para seus ovos fecundados. Em muitas espécies o papel biológico do macho é encerrado com a fecundação dos ovos, assim, muitos especialistas acreditam em alguns casos esse canibalismo é consentido pelo próprio macho. 

Um caso especifico que configura esse consentimento é o da aranha australiana da espécie Latrodectus hasselti, o macho dessa espécie posiciona seu abdome próximo a mandíbula da fêmea na hora da cópula, demonstrando um oferecimento de si mesmo a ela. Por outro lado, entende-se esse ato do macho como se o mesmo quisesse se livrar de maus momentos que viriam em seguida, por que geralmente seu órgão genital se parte dentro da fêmea em pleno momento do acasalamento.

Ao contrário do que muitos pensam as aranhas Viúvas Negras não matam seus parceiros, eles morrem acidentalmente. Por quê?  Por que ao terminar de depositar os espermatozoides na genitália da fêmea, ele retira bruscamente seu órgão genital da fêmea, e assim quebra seu aparelho reprodutor (bulbo). “Não é sempre que ele perde o bulbo, mas, quando isso acontece, morre por perda de um fluido vital: a hemolinfa. É como se a aranha morresse de hemorragia”, explica Paulo Goldoni, (Especialista em artrópodes do Instituto Butantã). Mas a femea aproveita a situação e devora o macho ali mesmo, recebendo assim a fama de assassina.  Já a aranha caranguejeira merece a fama de assassina. Em muitos casos, após a cópula, a fêmea enrola seu amante na teia e guarda os restos mortais dele para servir como primeira refeição aos filhotes, cerca de 60 dias após o acasalamento. 
Alguns machos espertinhos, que não estão dispostos a perder a vida por uma relação sexual com suas fêmeas, criam estratégias de defesa, chegam até a presenteá-las. Vou te contar como isso acontece;

Os machos das aranhas das espécies Gasteracantha, Micratena e Eriophora constroem um fio de acasalamento ligado à teia da fêmea; Para excitá-las, eles tocam esse fio como se fosse um instrumento musical. Assim, a fêmea fica em posição mais receptiva para a cópula e eles conseguem escapar ilesos depois.


Gasteracantha

Já o macho das aranhas Meta Segmentata oferece um inseto de presente a sua amada para entrête-la durante o acasalamento. Terminando o “serviço” ele foge rapidinho e se livra de ser engolido por ela.

O macho da aranha Xysticus Cristatus amarra a fêmea com fios de seda antes da cópula, como se a deixasse numa camisa de força e quando termina ele trata de escapar antes que ela se solte do emaranhado de fios. 

E aí, você sabia?

Espero que tenha curtido. Não se esqueça de comentar e compartilhar.

Abaixo deixo imagens das espécies citadas no texto, e um vídeo onde você vai poder ver como tudo acontece. 



Eriophora


Latrodectus Hasselti


Louva-a-deus



Metellina Segmentata


Micrathena


Xysticus Cristatus


Texto: Jaynne Gabrielle
Fotos: Imagens do Google

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Você sabia? por Jaynne Gabrielle

Jaynne Gabrielle

É acadêmica de Geografia pela Universidade Federal de Alagoas. Pretende trazer para esta coluna assuntos curiosos que envolvem a riqueza da biodiversidade, além de explorar questões referentes aos mistérios do planeta terra e até mesmo do espaço sideral. A coluna de Gabrielle é o espaço certo para instigar os amantes das ciências naturais.
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