Como surgem os vulcões

06/10/2015 | 13:28   

Eles causam medo, são intrigantes e ao mesmo tempo perigosos. Depois de deixar um rastro de destruição, podem também trazer alegria e fertilidade. Muitos não sabem de onde eles surgem, ou até mesmo como funciona todo processo de atividades deles. Estou falando dos vulcões, e se você quiser saber um pouco mais como tudo acontece vem comigo, garanto que você vai gostar!

O vulcão é uma estrutura geológica que surge a partir da emissão de magma, gases e partículas quentes do interior terrestre para a superfície. O magma é uma substância líquido-pastosa (em altas temperaturas), que forma uma estrutura rochosa chamada vulcão. As erupções vulcânicas causam a expulsão do magma do interior da Terra. Essa substância, por sua vez, entra em contato com o ar mais frio da superfície e endurece, formando a estrutura cônica e piramidal do vulcão.

Para ser mais fácil o seu entendimento vou explicar passo a passo como tudo acontece.

Nosso planeta possui grandes placas tectônicas, o que são essas placas? São porções da crosta terrestre, e são limitadas por zonas de convergência ou divergência. Seguindo a Teoria da “Tectônica das Placas”, a litosfera se constitui de placas que se movimentam interagindo entre si, ocasionando uma intensa atividade geológica, e isso resulta em terremotos e vulcões nos limites dessas placas. Atualmente existem 12 placas consideradas principais, que podem se subdividir em placas menores. Diante dessa interação, todo o material geológico existente sobre essas placas se move e assim permite que ajam acessos ao material interno da terra, mais conhecido como magma.

Não tendo nenhuma via de escape para esse magma, ele se acumula cada vez mais no interior dessas montanhas, o que vai gerar um grande acumulo de magma, gases e vapor de água (existente quando esse magma encontra algum lençol freático). Com o aumento de pressão, abrem-se caminhos nos topos das montanhas e assim acontece a erupção (expulsão de magma acumulado). Vamos fazer uma breve comparação com algo do nosso cotidiano: Quando pegamos uma garrafa de refrigerante tampada, agitamos bastante e depois abrimos o que acontece? Sabemos que todo o gás existente dentro dela será expelido (jogado) para fora com muita pressão. Assim acontece com os vulcões. Mas vale lembrar que esse material pode chegar à superfície, quando ocorrem as erupções, ou ficar alojados em determinado lugar. Um bom exemplo desse caso são as pedras conhecidas como granito. Que é resultado de magma não expelido, e acabou cristalizado em profundidades. 

Quando os reservatórios internos do vulcão estão cheios de magma, dependendo de quanta pressão houver dentro deles irão acontecer às erupções. Que são precedidas por pequenos terremotos e expelem um cheiro característico como de ovo podre. É assim que os vulcanologos (profissionais que estudam os vulcões) sabem que o processo de erupção está próximo, mas mesmo com esses sinais, não é fácil pra eles identificarem quando exatamente irão ocorrer. 


Foto: Revista Escola

O magma quando expelido pelos vulcões passa a se chamar lava. Esse magma pode alcançar temperaturas de 1.200 graus e velocidade de até 80 km ao serem expelidas. Essas erupções podem ocorrer de duas maneiras, sendo: A primeira como explosões (Quando a quantidade de sílica e gases da lava estão muito elevadas. Amentando seu potencial explosivo devido a sua viscosidade.); A segunda como derramamento (Acontecendo o inverso das explosões, quando a lava possui uma baixa quantidade de sílica e gases em sua composição, tornando a lava mais fluída(liquida).)

Existem cinco tipos de vulcões e a morfologia deles varia de acordo com o seu histórico, que pode ser de até 10 mil anos. São eles: 

A) Estrato vulcões (vulcões com muita atividade); 

B) Vulcão escudo (vulcões muito quentes e que expelem lavas em grande quantidade); 

C) Vulcão cones de escórias (são menores vulcões que existem e que expelem lava em pouca quantidade);

D) Vulcão caldeiras ressurgentes (os maiores vulcões que existem com o tamanho relativo a 15 e 100 km²); 

E) Vulcões submarinos (vulcões que ficam embaixo da água.)

No ano de 1883, um vulcão da ilha de Krakatoa na Indonésia, provocou uma enorme explosão, que ondas de até 40 metros de altura se espalharam e devastaram cidades e aldeias, matando mais de 36 mil pessoas. Suas cinzas cobriram uma área de mais de 800 mil quilômetros quadrados. A poeira lançada na atmosfera se espalhou por toda a Terra e bloqueando parte dos raios do Sol, o que provocou uma queda de temperatura de cerca de meio grau em 1884. Só depois de cinco anos, quando toda a poeira tinha se depositado, o clima do planeta retornou ao normal.


(Corpo modelado pelas lavas do vulcão Vesúvio na
cidade de Pompeia na Itália em 24 de agosto de 79 d.C.

Causam grandes destruições quando se localizam próximos a cidades ou aldeias, por que a lava acaba com tudo aquilo que estiver em seu caminho. Mas muitas pessoas optam por morar aos arredores de grandes vulcões por que depois que toda lava endurece, as cinzas acabam servindo como adubo para terra devido a grande concentração de minerais que compõem o magma. E sobrevivem dessa terra fértil.

Mas você deve estar se perguntando agora se no Brasil tem vulcões ou por que não tem, certo? Eu te explico. Voltando as placas tectônicas, o Brasil está localizado no centro de uma grande placa, no caso, a placa Sul Americana. E os vulcões são encontrados nas áreas limítrofes entre duas placas e daí acontece todo o processo que citei acima. Por isso, no Brasil não temos casos de vulcões ativos (Os vulcões são considerados ativos quando ainda expelem lava). Mas aí vem uma surpresa, o Brasil já teve sim vulcões ativos, mas isso só ocorreu em outra era, como a mesozoica e cenozoica, ou seja, a milhões de anos atrás. Hoje os vulcões extintos (Que já não possuem atividade) se tornaram pontos turísticos conhecidos por suas belezas. As erupções vulcânicas oceânicas originaram algumas ilhas no litoral, como Fernando de Noronha, Trindade, São Pedro e São Paulo. Também ocorreram derramamentos na região amazônica.

Poucas pessoas sabem, mas o arquipélago pernambucano de Fernando de Noronha era um conjunto de vulcões com cerca de 12 milhões de anos de história. Sua base tem 4 mil metros de profundidade, geralmente, os vulcões submarinos se solidificam rapidamente devido ao choque com água fria. Contudo, o vulcanismo intenso faz o magma emergir e formar ilhotas e ilhas. Com cerca de 189 bilhões de anos o vulcão mais antigo já descoberto no Brasil está dormindo na região amazônica. Essa descoberta faz parte de uma província de rochas vulcânicas nomeada “Uatumã”, que se espalhava pelo Mato Grosso, Pará, Roraima, Amazonas até a Venezuela e o Suriname. O vulcão não está em atividade há muitos anos, sua altura original pode já ter chegado a 400 metros, próximo ao rio Tapajós.

E aí, você sabia?

Espero que tenham curtido, não deixem de comentar e compartilhar. Abaixo algumas belas imagens.


Arquipélago de Fernando de Noronha


Pico do Cabuji é, segundo fontes não científicas, o único vulcão extinto do Brasil que ainda preserva sua forma original.

Texto: Jaynne Gabrielle
Fotos: Imagens do Google

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Você sabia? por Jaynne Gabrielle

Jaynne Gabrielle

É acadêmica de Geografia pela Universidade Federal de Alagoas. Pretende trazer para esta coluna assuntos curiosos que envolvem a riqueza da biodiversidade, além de explorar questões referentes aos mistérios do planeta terra e até mesmo do espaço sideral. A coluna de Gabrielle é o espaço certo para instigar os amantes das ciências naturais.
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