A distorção do conceito de política como forma de alienar o eleitor

16/11/2017 | 14:32   

As pessoas comumente afirmam com muita propriedade que “todo político é corrupto”, ou que “a política é suja”, e há ainda aqueles que com maior veemência dizem “eu odeio política”. É natural que em uma sociedade onde as pessoas repetem constantemente tais afirmações se deparem com crises de difícil reparação.

A crença de que todo aquele que toca a política é por ela contaminado nos leva a presumir que a política na atual conjuntura é uma chaga maligna no meio social. No entanto, é importante afirmar que tudo isso não passa de um mal-entendido, e que é necessário o quanto antes romper com essa crença.

A perspectiva atual das pessoas é de que todo aquele que se manifesta como agente político busca algum benefício próprio, o que em partes é verdade, todavia, não se pode generalizar este pensamento. A política tem como ideia central o interesse comum, aquele que abrange a todos, e não o de determinada casta. Ser político, portanto, implica em ser alguém preocupado com o bem-estar coletivo.

Há um movimento há muito disseminado que prega a demonização da política, importa dizer, a política para nada serve. Ocorre que, as pessoas que isso afirmam buscam na verdade causar conformismo nos eleitores, de modo que, ao pensar que “todos são iguais” não haveria porque realizar qualquer mudança no poder. Daí que vemos partidos políticos e determinadas figuras a estes vinculadas se perpetuarem em funções políticas, fazendo muitas vezes do cargo público profissão.

Outro motivo que gera a abstenção das pessoas em relação à política, diz respeito a complexidade dos assuntos nela tratados, ou ainda que não sejam complexos, são desconhecidos da grande maioria. Aí nos deparamos com uma situação ainda mais catastrófica, que é a falta de cidadania. Grosso modo as pessoas não possuem ciência dos seus direitos e deveres, em linhas gerais elas conhecem pouquíssimos direitos que lhes são básicos, e menos ainda quando falamos das obrigações. Isso se dá em razão da ausência de educação básica adequada. O processo educacional contemporâneo está cada vez mais precário, e isso resulta em uma sociedade ignorante e passível de ser explorada. Por não se sentirem aptas a dialogarem sobre questões básicas do seu cotidiano, por acharem que aquilo que é público na verdade é dos poderosos, as pessoas se afastam do debate político.

Atualmente, ao abrir o jornal, ao ligarmos a TV, nos deparamos com inúmeros escândalos políticos, e em destaque nas manchetes estão nomes antigos; são os imortais das campanhas que ocorrem periodicamente.

E, por que nós não nos deparamos com tais escândalos antes? Seriam crimes recentes? Certamente que não! Tudo isso se dá, justamente porque há muito nós optamos por não nos “misturar” com a política, sob pena de ter comprometida a nossa idoneidade moral. Isso mesmo! Estar ligado a política “é ser sujo, é querer ficar rico às custas dos pobres”. E quem, seria capaz disso? Nota-se que essas afirmações visam tão somente desestimular os bons a ingressarem na política. E nas palavras de Martin Luther King “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. Desta forma, ao nos omitirmos estamos abrindo mão do nosso direito de escolha, o qual na verdade deve ser exercido com muita responsabilidade.

Diante disso, é necessário romper com os rótulos negativos que foram colados na nossa mente ao longo de todo esse tempo. É necessário participar ativamente da vida política, e isso não significa ser candidato, significa apenas que precisamos acompanhar de perto as decisões tomadas pelos nossos representantes em âmbito municipal, estadual ou federal. A participação ativa do povo resulta numa fiscalização mais eficaz, consequentemente, dificuldade para práticas de ilícitos que causa dano a coisa pública.

Para aqueles que afirmam “eu não me envolvo com política”, aí vai uma reflexão: se você não se envolver com a política, a política envolverá você. Ao negar atenção aos fatos que ocorrem no meio político, estaremos deixando de verificar se aqueles atos atenderão ao interesse da coletividade, e não ter se posicionado ou não ter se envolvido não servirá como justifica para deixar de se submeter a uma decisão política. Então se você não se envolve, se você não participa, será cobrado ou afetado de igual maneira.

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P de Política por Isaque Lins

Isaque Lins

Atualmente é acadêmico do Curso de Direito no Centro Universitário Cesmac. É co-fundador do projeto "Política se Discute", uma iniciativa que visa fomentar a discussão política na internet.
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