Ovelha Dolly não teve envelhecimento precoce, diz estudo

Ela sofria de osteoartrite e foi sacrificada aos seis anos e oito meses devido a doença pulmonar progressiva. Mas suas quatro irmãs idênticas, clonadas a partir da mesma linha celular e nascidas 11 anos depois, continuavam saudáveis aos nove anos de i

Publicada em 26/11/2017 às 11:03
France Presse
  
Dolly está embalsamada e exposta no Museu Real da Escócia, em Edimburgo (Foto: Domínio público) Dolly está embalsamada e exposta no Museu Real da Escócia, em Edimburgo (Foto: Domínio público)

Quando a ovelha Dolly foi abatida antes do seu sétimo aniversário, em 2003, disseram que ela sofria de osteoartrite relacionada à idade, levantando preocupações de que os clones podem envelhecer mais rápido que o normal.

Mas cientistas afirmaram, nesta quinta-feira (23), que o medo do envelhecimento precoce relacionado à clonagem parece ter sido equivocado. A doença das articulações de Dolly era, na verdade, bastante normal.

Pesquisadores da Escócia e da Inglaterra basearam sua conclusão em raios X do esqueleto de Dolly, cujo corpo embalsamado está exposto no Museu Real da Escócia (NMS, sigla em inglês), em Edimburgo.

Dolly sofria de osteoartrite no joelho, mas o alcance de sua doença, revelado pelas radiografias, "não é incomum" para uma ovelha concebida naturalmente de entre sete e nove anos de idade.

"As preocupações originais de que a clonagem causou osteoartrite precoce na Dolly foram infundadas", concluíram os pesquisadores, cujo estudo foi publicado na revista Scientific Reports.

Dolly foi abatida aos seis anos e oito meses devido a uma doença pulmonar progressiva. Os exemplares da raça de Dolly, Finn-Dorset, normalmente vivem até os 10-12 anos.

Os pesquisadores disseram que suas descobertas foram apoiadas por raios X dos esqueletos de Bonnie, a filha de Dolly concebida naturalmente, e de Megan e Morag, ovelhas clonadas usando uma técnica diferente, cujos ossos também pertencem à coleção do NMS.

O único registro formal de osteoartrite em Dolly foi uma "breve menção" em um artigo submetido a uma conferência científica, disseram os pesquisadores. Nenhum dos registros de diagnóstico ou exames originais foi preservado.

A mesma equipe publicou um estudo no ano passado em que relatou que quatro cópias geneticamente idênticas de Dolly tinham envelhecido normalmente, sem sintomas de osteoartrite.

Debbie, Denise, Dianna e Daisy - irmãs idênticas de Dolly, nascidas 11 anos depois - foram feitas a partir da mesma linha celular de glândula mamária que produziu a ovelha mais famosa do mundo.

Irmãs saudáveis

Nenhuma delas tinha problemas no joelho nem apresentava osteoartrite incomum para sua idade.

A osteoartrite é uma condição dolorosa causada por um desgaste da cartilagem nas articulações. Pode ser de origem genética, mas os fatores de risco incluem idade avançada, trauma e obesidade.

Aos nove anos, nenhuma das quatro irmãs de Dolly era diabética, e todas tinham pressão arterial normal - pondo em dúvida as preocupações sobre o envelhecimento precoce em clones.

Ratos de laboratório clonados mostraram, anteriormente, uma propensão à obesidade, diabetes e morte prematura.

Os pesquisadores admitiram que havia algumas limitações para sua pesquisa, como o fato de que apenas os ossos das ovelhas estavam disponíveis, enquanto a osteoartrite é uma doença que atinge toda a articulação, incluindo os nervos e a cartilagem.

Além disso, a evidência de osteoartrite em raios X não reflete necessariamente a extensão da doença experimentada por um animal.

Dolly foi criada por transferência nuclear de células somáticas (SCNT), uma técnica que consiste em remover o núcleo contendo DNA de uma célula que não seja um óvulo ou esperma - uma célula da pele, por exemplo - e injetá-lo em um óvulo não fertilizado cujo núcleo foi removido.

Uma vez transferido, o óvulo reprograma o DNA maduro de volta a um estado embrionário, com a ajuda de um choque elétrico. O óvulo começa a se dividir para formar o embrião de um animal quase idêntico ao doador do DNA original.

A clonagem de animais é utilizada na agricultura, principalmente para criar animais reprodutores, e no negócio de "recriar" animais de estimação mortos.

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