DESCASO: Situação do Cemitério de São Luís do Quitunde deixa a população em alerta

Entre ossos, mortalhas, túmulos abertos e até pedaços de caixões estão as memórias violadas dos muitos quitundenses

Publicada em 02/11/2017 às 23:22 - Atualizada em 03/11/2017 11:47
Redação I AlaNorte Notícias
  
Encontramos túmulos que datam de 1920 I Foto: AlaNorte Notícias Encontramos túmulos que datam de 1920 I Foto: AlaNorte Notícias

O Cemitério Municipal Nossa Senhora da Conceição, em São Luís do Quitunde está prestes a marcar seu centenário. Encontramos túmulos que datam de 1920. O historiador do munícipio, Pe. Alex Sandro, relatou a nossa equipe que a construção do cemitério foi efetuada para compor a nova cidade de São Luís, entre o final da década de 10 e o início da década de 20. 

Como é de costume, todo o dia 2 de novembro, os fiéis de várias partes do mundo tomam os cemitérios de suas cidades para homenagear seus entes queridos, que já partiram desta vida. Em São Luís do Quitunde, a tradição Católica de iluminar os túmulos com velas permanece forte por mais de um século. 

Logo nas primeiras horas da manhã, milhares de pessoas, de todas as partes do município começaram a tomar o campo fúnebre que guarda os restos mortais de milhares e milhares de Quitundenses que já viveram ou nasceram na cidade. 

A superlotação e a falta de cuidado

Um fato que é de conhecimento notório dos habitantes da cidade, e que vem se agravando a cada ano, é que o velho Cemitério Nossa Senhora da conceição já não comporta mais a necessidade inevitável de sepultamentos. De acordo com informações de pessoas que precisaram sepultar seus parentes falecidos, e que preferem ter as identidades resguardadas, os coveiros precisam retirar os restos mortais de pessoas já enterradas e depositá-los nos espaços que ficaram nos canteiros das covas e túmulos, onde deveria ser o local de passagem das pessoas, para poder dar espaço a um novo sepultamento. 

A situação pode ser comprovada com uma simples caminhada entre os túmulos do cemitério, que inclusive não pode ser feita de forma tranquila, já que a parte que deveria servir de passagem para os vivos está sendo ocupada pelos restos mortais dos que já se foram. O odor é perceptível, e entre ossos, mortalhas e até pedaços de caixões estão as memórias violadas dos muitos que ali foram sepultados. 

Dentro da cidade

De acordo com o Pe. Alex Sandro, o cemitério foi projetado para ficar localizado fora da cidade. Porém, com o crescimento da povoação, o espaço destinado para a “morada dos mortos” passou a fazer parte da cidade. O que é um fato bastante preocupante. 


O cemitério está localizado entre as casas do municipio I Foto: AlaNorte Notícias 

O risco eminente do necrochorume

Em uma série de reportagens de rádio, o jornalista quitundense Abidias Martins alerta sobre os problemas do necrochorume, que é o líquido que sai dos cadáveres e que contamina o solo e os aquíferos subterrâneos. O cadáver fica infestado de bactérias, vírus e micro-organismos patogênicos com capacidade de infiltração no solo com ajuda hídrica. Em resumo, um cemitério próximo de casas representa um sério risco de contaminação para a população. 

Saiba mais sobre os riscos do necrochorume assistindo a série de reportagens Águas da Morte.

Diante do feriado, os órgãos públicos da cidade não funcionaram, de forma que a nossa equipe até o momento não conseguiu contato com o setor responsável pela administração do cemitério. O AlaNorte Noticias deixa o espaço aberto para os devidos esclarecimentos da gestão pública de São Luís do Quitunde.


Sepultura danificada é uma das inúmeras irregularidades no local I Foto: AlaNorte Noticias 

*Achamos por bem não postar todas as imagens feitas no cemitério na tarde de hoje, pois acreditamos que são imagens realmente muito fortes. 

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