Crônica vermelha: carta sobre o 30º alagoano conquistado pelo Galo

CRB vence CSA por 3 a 2, levanta a taça e mexe com a imaginação da torcida

Publicada em 07/05/2017 às 19:29
GloboEsporte.com
  
CRB levanta a taça de campeão alagoano pela 30ª vez (Foto: Jonathan Lins/G1) CRB levanta a taça de campeão alagoano pela 30ª vez (Foto: Jonathan Lins/G1)

Vai, e arrasta toda essa gente. Você aí, de vermelho, que veste essa camisa como quem veste a verdade. Sabe bem o segredo das histórias feitas de amor e futebol. Só quem sente sabe o tamanho do grito, estrondo que foge da boca e se espalha no estádio, nas ruas. Misturado, o som deste lado da arquibancada acelera o peito de quem joga, assanha a bandeira. É disso que é feita a magia, essa é a voz de quem grita por uma causa, por sua verdade. Neste domingo de maio, a conquista contra o rival, a vitória por 3 a 2 no Trapichão, apenas amplia esse grito, reverbera.

Você, jogador de vermelho, saiba que essa camisa tem o peso do tempo, ela correu por gerações e gerações de apaixonados pelo CRB. Passou de mão em mão, como uma carta escrita pelos avós, pelos tios, pela mãe ou mesmo pelo pai, que hoje grita pela boca dos filhos. É doce lembrança e ao mesmo euforia pelo que vem depois da catraca, quando o estádio, tão próximo, abraça logo quem chega como se fosse um velho amigo. Dá até um aperto no peito.

Ouça bem a palavra CRB. Separe com cuidado. Não são apenas três letras juntas pela bola, pelo esporte, e agora pelo tri. Elas se unem por um sentimento maior. Não importa onde o torcedor do Galo esteja neste domingo. Na hora do gol do Neto, da euforia, ele pensou nesta camisa. Depois, mais tarde, teve o corpo tomado pela vitória inesquecível. E, não se engane, essas lembranças aumentaram a força da bandeira. Você, jogador de vermelho, você se veste de muitas lembranças, sabia? Cada uma ocupa um pequeno espaço na camisa. Juntas, elas definem o Clube de Regatas Brasil e sopram o vento do futuro. Juntam ainda as estrelas. Agora, você ajudou a bodar a 30ª, com muito cuidado e uma linha dourada.

Pense um pouco, vamos, pense nos velhos jogadores. Muitos foram esquecidos, viraram um olhar de desafio em pôsteres envelhecidos. Outros que chamaram mais atenção, os ídolos, são bandeiras no estádio. Saiba que cada um deles hoje se emociona quando ouve a multidão em fúria. Queria estar no seu lugar, com um número marcado nas costas. Daria alguns anos de vida para fazer mais um gol, o último, o que marca a despedida. Os que foram vivem ainda no grito de Galo que toma Alagoas e encanta as crianças, o futuro. O CRB representa para eles a vitória, a cidade, e mais, mais do que isso, a juventude.

Eles contam orgulhosos por onde passam de seus dribles, de suas jogadas, dos gols que fizeram e até dos que não fizeram, que ficaram perdidos na imaginação. Você, jogador de vermelho, entrou em campo também por eles, pela torcida, e deixou de presente para o futuro pelo menos um lance na decisão do Alagoano. Uma ousadia. O futebol vai lhe dar como prêmio uma linda lembrança na camisa. Não é simples inspirar outra pessoa, outro jogador, imagine inspirar a multidão.

O CRB não é de ninguém, dirigente ou boleiro, é do vento da Pajuçara, é do grito da torcida. É da terra que viu sua história começar e logo ganhar as ruas, o mar, ocupar estádios e se multiplicar em taças. Tantos brindes, tantas tardes, tantas regatas. Só quem nasceu com o vermelho no corpo pode entender esse grito de Galo, essas cores que fazem a bandeira e esse olhar altivo no meio do temporal.

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Ciclo Peças
JBuarque

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