Canta Luiz!

O rei do Nordeste

30/06/2016 | 04:25   
Luis, Lua, Lula do Baião Luis, Lua, Lula do Baião

Os festejos juninos chegaram ao fim no ano de 2016, aqui presto essa homenagem a um dos principais responsáveis pela maior festa do Nordeste brasileiro.

Não tem como falar de São João e não citar o Rei do Baião. Lua, Lula é como ele ficou conhecido por familiares, amigos e fãs. O Nordeste brasileiro possuí uma magnifica herança deixada por um grande artista que levou a nossa cultura para o mundo. Hoje, dançamos o forró, cantamos as grandes canções composta por ele e seus amigos. Arrumamos os nossos arraiás, calçamos nossas sandálias de couro, usamos nosso chapéu com estrelas, de palha, usamos o velho jibão de couro e seguimos o ronco do fole, da batida da zabumba e o tingue-lingue do triângulo que nos deixa arrepiados só de imaginar.

Estamos falando dele: LUIZ GONZAGA, o REI DO BAIÃO.

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu na cidade pernambucana de Exu, no dia 13 de dezembro de 1912. Filho de Januário José Santos, lavrador e sanfoneiro, e de Ana Batista de Jesus, agricultora e dona de casa, desde criança se interessou pela sanfona de oito baixos do pai, a quem ajudava tocando zabumba e cantando em festas religiosas, feiras e forrós da região em que vivia.

Em 1930 saiu de casa, por conta de uma história de amor mal resolvida que resultou na maior surra já recebida pela sua mãe Santana. Alistou-se no exército como voluntário no estado do Ceará, onde ficou por nove anos. Viajou pelo Brasil como corneteiro e, de vez em quando se apresentava em festas, tocando sanfona, já era conhecido como um bom sanfoneiro. Ele recebeu baixa das Forças Armadas em 27 de março de 1939, em Barbacena, Minas Gerais. No mesmo ano foi morar no Rio de Janeiro, levando sua primeira sanfona nova. Ele queria ver coisas diferentes.

Começou a participar de programas de calouros, inicialmente sem êxitos, até que, no programa de Ary Barroso, na Rádio Nacional, solou uma música sua, "Vira e mexe", e ficou em primeiro lugar. A partir de então, começou a participar de vários programas radiofônicos, inclusive gravando discos, como sanfoneiro, para outros artistas, até ser convidado para gravar como solista, em 1941.

Ainda no rádio seguiu produzindo programas, que estavam no auge e tinham artistas contratados. Trabalhou na Rádio Clube do Brasil e na Rádio Tamoio, e prosseguia gravando seus mais de 50 solos de sanfona. Em 1943, já na Rádio Nacional, passou a se vestir como vaqueiro nordestino e começou a parceria com Miguel Lima, que colocou letra em "Vira e mexe", transformando-a em "Chamego", com bastante sucesso. Nessa época, recebeu de Paulo Gracindo o apelido de Lua.

Sua parceria com Miguel Lima decolou e várias músicas fizeram sucesso: "Dança, Mariquinha" e "Cortando Pano", "Penerô Xerém" e "Dezessete e Setecentos", agora gravadas pelo sanfoneiro e, também cantor, Luiz Lua Gonzaga. No mesmo ano, tornou-se parceiro do cearense Humberto Teixeira, com quem sedimentou o ritmo do baião, com músicas que tematizavam a cultura e os costumes nordestinos. Seus sucessos eram quase anuais: "Baião" e "Meu Pé de Serra" (1946), "Asa Branca" (1947), "Juazeiro" e "Mangaratiba" (1948) e "Paraíba" e "Baião de Dois" (1950).

Em 1945, assumiu a paternidade de Gonzaguinha, seu filho com a cantora e dançarina Odaléia. E, em 1948, casou-se com Helena das Neves. Dois anos depois, conheceu Zé Dantas, seu novo parceiro, pois Teixeira cumpria mandato de deputado estadual, afastando-se da música. Já em 1950, fizeram sucesso com "Cintura Fina" e "A Volta da Asa Branca". Nessa década, a música nordestina viveu sua fase áurea e Luiz Gonzaga virou o Rei do Baião.

Outros ritmos, como a bossa-nova, subiram ao palco, e o Rei do Baião voltou a fazer shows pelo interior, sem perder a popularidade. Zé Dantas faleceu em 1962 e o rei fez parcerias com Hervê Cordovil, João Silva e outros. "Triste Partida" (1964), de Patativa do Assaré, foi também um grande sucesso. Suas músicas começaram a ser regravadas pelos jovens cantores: Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, que o citavam como uma das influências. Durante os anos 70, fez shows no Teatro Municipal, de São Paulo e no Tereza Raquel, do Rio de Janeiro.

Nos anos 80, sua carreira tomou novo impulso. Gravou com Raimundo Fagner, Dominguinhos, Elba Ramalho, Milton Nascimento etc. Sua dupla com Gonzaguinha deu certo. Fizeram shows por todo o país com "A Vida de Viajante", passando a ser chamado de Gonzagão. Em 84, recebeu o primeiro disco de ouro com "Danado de Bom". Por esta época apresentou-se duas vezes na Europa; e começaram a surgir os livros sobre o homem simples e, por vezes, até ingênuo, que gravou 56 discos e compôs mais de 500 canções.

Já doente Luiz Gonzaga segue a sua agenda de shows, na cidade baiana de Senhor do Bonfim, o Rei tocou e cantou com muito esforço e muita emoção. Demonstrando fraqueza, contou com ajuda de amigos e produtores para conseguir ficar de pé; quase sem conseguir ainda cantou e encantou a plateia. Seu último show foi datado em 18 junho de 1988.
Luiz Gonzaga sofreu de osteoporose por anos. Morreu no dia 2 de agosto de 1989, vítima de parada cardiorrespiratória no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Foi velado em Juazeiro do Norte (a contragosto de Gonzaguinha, que pediu que o corpo fosse levado o mais rápido possível para Exu, irritando várias pessoas que iriam ao velório e tornando Gonzaguinha uma pessoa mal vista em Juazeiro do Norte) e posteriormente sepultado em seu município natal.

Não tem como falar de forró, São João e esquecer o Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Cantado em versos e prosas, homenageado por diversas quadrilhas juninas, cantores e compositores em todo Brasil.

Homenagens:

A Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga (antes conhecida como Usina Hidrelétrica de Itaparica) é uma usina hidrelétrica localizada nos estados brasileiros de Bahia e Pernambuco. A usina, que pertence a Eletrobras Chesf foi renomeada em homenagem ao cantor e compositor brasileiro.

Em 2012 foi tema do carnaval do GRES Unidos da Tijuca, no Rio de Janeiro, com o enredo "O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão", fazendo com que a escola ganhasse o carnaval carioca daquele ano.

Ainda em 2012, o filme de Breno Silveira Gonzaga, “De Pai Pra Filho”, narrando a relação conturbada de Luiz com o filho Gonzaguinha, em três semanas de exibição já alcançara a marca de um milhão de espectadores.

Em 13 de dezembro de 2012 o Correio Brasileiro, seguindo uma tradição filatélica, emitiu um selo postal em homenagem ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga.

Ana Krepp, da Revista da Cultura escreveu: "O rei do baião pode ser também considerado o primeiro rei do pop no Brasil. Pop, aqui, empregado em seu sentido original, de popular. De 1946 a 1955 foi o artista que mais vendeu discos no Brasil, somando quase 200 gravados e mais de 80 milhões de cópias vendidas. 'Comparo Gonzagão a Michael Jackson. Ele desenhava as próprias roupas e inventava os passos que fazia no palco com os músicos', ilustra [o cineasta] Breno [Silveira, diretor de Gonzaga — De pai para filho]. Foi o cantor e músico e também o primeiro a fazer uma turnê pelo Brasil. Antes dele, os artistas não saíam do eixo Rio-SP. Gonzagão gostava mesmo era do showbiz: viajar, fazer shows e tocar para plateias do interior”.

"Estou no cansaço da vida, estou no descanso da fé..."

Luiz Gonzaga

Referências bibliográficas:

ÂNGELO, Assis.
Luiz Gonzaga -
O Sanfoneiro do Riacho da Brígida. Fortaleza: Realc
e,
2002.

OLIVEIRA, Gildson.
O matuto que conquistou o mundo
. 7. ed. Brasília: Letraviva, 2000.

CASCUDO, Luís da Câmara. Luiz Gonzaga: Legitimidade
do Sertão. In: FONTELES, Bené
(Org.)

O Rei e o Baião
. Brasília: Fundação Athos Bulcão, 2010.

GIL, Gilberto. Apresentação. In: FONTELES, Bené (Or
g.).
O rei e o baião.
Brasília:
Fundação Athos Bulcão, 2010

______________Simpósio de Geografia UERN: Prof. Ms. José Romero Araújo Cardoso. Disponível em <http:///www.caldeiraodochico.com.br/simposio-de-geografia-da-uern-geo-historia-e-cultura-nordestina-a-importancia-do-estudo-das-musicas-de-luiz-gonzaga-em-sala-de-aula/>.Acesso em 20 jun.2016.

Fotos: google

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Norteando a cultura por Gin Santos

Gin Santos

Ginaldo Santos, nasceu em Piranhas, no sertão de Alagoas. Aprendeu a gostar de arte através da sua avó Antonia Silveira (folclorista). Desde criança adorava dançar. Nos anos 90 mudou-se para Maceió e foi estudar ballet clássico, formou-se pela Escola de Ballet Eliana Cavalcanti, onde integrou o único grupo com técnica profissional em dança do estado, o saudoso Balé Iris de Alagoas. Logo após ingressou no curso de Licenciatura em Artes Cênicas - Teatro pela Universidade Federal de Alagoas. Trabalhou como arquivista de imagens no Instituto Zumbi dos Palmares - IZP, na TV Educativa de Alagoas e Rádio Educativa FM. Atualmente é professor efetivo de Artes na rede educacional de ensino do estado de Alagoas e Coordenador de Cultura da cidade de São Luis do Quitunde.
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