Quando o mês de junho chegar!

A maior festa do Nordeste

07/06/2016 | 01:41   
O ciclo junino O ciclo junino

Junho poderia ser igual a qualquer outro mês do ano, mas é durante os seus 30 dias que no Brasil, especificamente no Nordeste muitos brincam ao som da sanfona, triângulo e zabumba. Outros dançam quadrilha, dançam coco de roda, soltam fogos, provam as deliciosas comidas e bebidas típicas, além de acenderem a fogueira na frente da casa. Tudo em nome da fé cristã, que não demorou muito para cair na festança das palhoças.

O ciclo junino:

O São João é a maior manifestação da cultura popular nordestina, a mais brasileira das festas juntamente com o carnaval. Os festejos juninos não nasceram em solo nacional. Sua origem remonta às celebrações pagãs, anteriores ao Cristianismo, realizadas no solstício de verão (fenômeno que ocorre no verão, e significa que a duração do dia é a mais longa do ano. Analogamente, quando ocorre no inverno, significa que a duração da noite é a mais longa do ano) no dia 21 de junho, no Hemisfério Norte, em que se comemorava a colheita. Com a expansão do Império Romano e a consequente disseminação do Cristianismo, as celebrações pagãs foram revestidas pelo manto da Igreja Católica, tornando-se festas de santos. A de São João foi uma delas.

Os Santos Juninos:

As festas ocorriam para pedir aos deuses a fertilidade da terra e garantir boas colheitas nos meses seguintes. Com o avanço do Cristianismo, a Igreja incorporou a tradição e, no século VI, os ritos da festa do dia do solstício, em 21 de junho, passaram para o dia do nascimento de São João Batista, em 24 de junho. Mais tarde, no século XIII, foram incluídas no calendário litúrgico as datas comemorativas de Santo Antônio (dia 13) e São Pedro (dia 29). É por isso que esses três santos são os padroeiros das festas juninas!

Santo Antônio, o casamenteiro:

Nasceu em Lisboa, em 1195, e foi batizado com o nome Fernando de Bulhões. Em 1220, trocou o nome para Antônio, ingressando na Ordem Franciscana. Padroeiro dos pobres e considerado o santo casamenteiro, também é invocado para achar objetos perdidos.

São João Batista, protetor dos doentes:

Diz a Bíblia que foi ele quem batizou Jesus. É o mais famoso dos três santos de junho, tanto que as festas juninas são conhecidas como festas joaninas ou festas de São João. É protetor dos casados e enfermos, protegendo contra dor
de cabeça e de garganta.

São Pedro, dono da chuva:

Nascido com o nome de Simão, foi chamado de Cefas (pedra, em aramaico) por Jesus, por sua liderança. É visto como o primeiro Papa da Igreja, e, segundo a tradição católica, foi nomeado chaveiro do céu. É atribuída a ele a responsabilidade de fazer chover e mudar o clima.

A Festa de São João, que na Península Ibérica tinha e ainda tem um caráter mais devocional, sofreu um processo de aclimatação. Ganhou elementos simbólicos, que lhe deram um ar dramatúrgico. A quadrilha é um exemplo, essa chegou ao Brasil com os portugueses. Derivada da dança da corte francesa há referências disso nos movimentos dançado pela quadrilha matuta brasileira e também pela quadrilha estilizada, como as expressões anarriê e anavantu. Ela não existe nas festas de São João em outros lugares do mundo. O mesmo acontece com o casamento caipira, que reforça a ideia de regionalidade. Marcadamente, há uma cena tradicional nordestina: o pai é uma espécie de coronel, o noivo é um caipira, roceiro, sertanejo, mas também é um malandro; a noiva representa a virgem, e o pároco remete à figura do Padim Ciço. Outro símbolo utilizado para enfatizar a identidade nordestina é a vestimenta de cangaceiro (lembrando Virgulino Ferreira, o Lampião) presente nas chamadas quadrilhas matutas, que seriam as “de raiz”, mais rústicas e sem uma coreografia marcada como na estilizada.

O São João chega ao Brasil:

Segundo Edson Farias, sociólogo da Universidade de Brasília (UnB), o São João teve início no Brasil como um evento privado. “Os senhores de engenho montavam a festa e convidavam amigos e agregados”, diz. As celebrações foram crescendo – de uma comemoração familiar passou a ser da comunidade – até se tornarem públicas. A festa era muito forte no País inteiro, mas recuou nas demais regiões. “No Nordeste, ela se aliou a elementos que lhe deram suporte, por exemplo, o forró. Além de contribuir para a definição de uma identidade regional, passou a ser um produto musical concorrido a partir do sucesso de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês”, explica Farias. Ele afirma que, no final dos anos 1980, com uma redefinição da política nacional de turismo, mais descentralizada e com a ideia de potencializar recursos locais, as festas de São João – que na verdade representam todo o ciclo junino – se tornaram o principal foco de atração turística de muitas cidades nordestinas, como Campina Grande (PB) e Caruru (PE). Essas duas cidades há décadas dividem o título de “capital do forró”, até hoje fica difícil de colocar no pódio uma só. Até mesmo os turistas contradizem-se em definir qual a melhor programação junina, de Campina Grande? ou de Caruaru?

O Forró:

De acordo com pesquisadores, o forró surgiu no século XIX. Nesta época, como as pistas de dança eram de barro batido, era necessário molhá-las antes, para que a poeira não levantasse. As pessoas dançavam arrastando os pés para evitar que a poeira subisse.

A Dança:

O forró é uma dança popular de origem nordestina. Esta dança é acompanhada de música, que possui o mesmo nome da dança. A música de forró possui temática ligada aos aspectos culturais e cotidianos da região Nordeste do Brasil. A música de forró é acompanhada dos seguintes instrumentos musicais: triângulo, sanfona e zabumba. 

Origem do nome: 

A origem do nome forró tem várias versões, porém a mais aceita é a do folclorista e pesquisador da cultura popular Luiz Câmara Cascudo. Segundo ele, a palavra forró deriva da abreviação de forrobodó, que significa arrasta-pé, confusão, farra. 

Características:

Uma das principais características do forró é o ato de arrastar os pés durante a dança. Esta é realizada por casais, que dançam com os corpos bem colados, transmitindo sensualidade.


Embora seja tipicamente nordestino, o forró espalhou-se pelo Brasil fazendo grande sucesso. Foram os migrantes nordestinos que espalharam o forró, principalmente nas décadas de 1960 e 1970.


Atualmente, existem vários gêneros de forró: forró eletrônico, forró tradicional, forró universitário e o forró pé de serra.

 

Viva São João!

 

Nortear é preciso.

 

Aguardem: Não mudei, nem São João. Quem mudou foi a cidade.

 

Fontes:

CASCUDO, Luis da Câmara. Seleta, Organizações, Notas e Estudos de Américo

HERMIDA, Borges. O Interessante Estudo do Folclore: História do Brasil. 8. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1986.

 

Imagem: Google

O conteúdo dos comentários abaixo é de responsabilidade de seus autores e não representa a opinião deste portal.
Norteando a cultura por Gin Santos

Gin Santos

Ginaldo Santos, nasceu em Piranhas, no sertão de Alagoas. Aprendeu a gostar de arte através da sua avó Antonia Silveira (folclorista). Desde criança adorava dançar. Nos anos 90 mudou-se para Maceió e foi estudar ballet clássico, formou-se pela Escola de Ballet Eliana Cavalcanti, onde integrou o único grupo com técnica profissional em dança do estado, o saudoso Balé Iris de Alagoas. Logo após ingressou no curso de Licenciatura em Artes Cênicas - Teatro pela Universidade Federal de Alagoas. Trabalhou como arquivista de imagens no Instituto Zumbi dos Palmares - IZP, na TV Educativa de Alagoas e Rádio Educativa FM. Atualmente é professor efetivo de Artes na rede educacional de ensino do estado de Alagoas e Coordenador de Cultura da cidade de São Luis do Quitunde.
São Luiz Net

Curta no Facebook