A Semana Santa e algumas tradições. Que não cheguem ao fim.

A fé do povo

25/03/2016 | 01:18   
Malhar o Judas Malhar o Judas

Malhar ou Queimar o Judas – A Tradição

Fatos históricos:

Judas, apóstolo traidor, apelidado de Iscariotes por ser oriundo de Carioth, cidade ao Sul de Judá, já um ano antes da Paixão de Jesus tinha perdido a fé no Mestre, mas continuava a acompanhá-lo por comodidade e para ir furtando do que ofereciam aos apóstolos. Obcecado pelo dinheiro, antes de se afastar de Cristo, resolveu entender-se com os sinedritas - membros do Sinédrio, conselho supremo dos judeus. Judas assistiu ainda à última ceia, em que Jesus revelou a sua traição, mas foi logo ao encontro dos inimigos de Cristo para cumprir o que tinha combinado e receber 30 moedas de prata dos captores, dando-lhe um beijo na face. Consumada a traição, arrependeu-se, quis restituir o dinheiro, mas, repelido pelos sacerdotes, enforcou-se numa corda.

A tradição:

Notória na Península Ibérica radicou-se em toda a América Latina desde os primeiros séculos da colonização europeia. O Judas queimado é uma personalização das forças do mal e constitui vestígio de cultos agrários, em muitas partes do mundo. Vários historiadores registraram o uso, quase universal, de festas de alegria no início e fim das colheitas, para obter melhores resultados nos trabalhos do campo. O sacrifício do mau apóstolo é, então, uma convergência de tradições vivas no trabalho agrícola. Em cada país a tradição tem a sua versão, onde algumas não utilizam a versão da colheita, como é o caso da grande maioria das cidades brasileiras, principalmente no Nordeste, aonde as comunidades cristãs vão às ruas para descontar o que Judas fez com Jesus, entregando-o com um beijo o filho de Deus. Dessa forma, o castigo do Judas pode mudar um pouco, mas a intenção é a mesma: Sacrificar o apóstolo traidor.

A tradição de Malhar ou Queimar o Judas no Brasil:

Com a chegada do Sábado de Aleluia, várias cidades costumavam ou costumam confeccionar bonecos em tamanho natural, sempre em formato de um homem, com vestes masculinas e corpo composto por serragem, pano ou palha. A face do boneco sempre representando tristeza, e muitas das vezes comicidade.

Nos grandes centros a tradição foi proibida por questionarem os perigos que representava para a população, já que muitos utilizavam os postes da rede elétrica para pendurar os bonecos, e daí ateavam fogo. No interior do Brasil, algumas cidades (poucas) mantém viva a tradição de malhar o Judas. Algumas ainda fazem um suspense: Um grupo confecciona e esconder o boneco, e o outro grupo tem o dever de encontrar o Judas; e em seguida preparar o terreno para o castigo no Sábado de Aleluia. É costume antigo fazer-se o julgamento de Judas, sua condenação e execução, que tradicionalmente acontece ao meio dia. Antes do suplício, alguém lê o "testamento" de Judas, em versos, colocado especialmente no bolso do boneco. O testamento é uma sátira das pessoas e coisas locais, com graça oportuna e humorística para quem pode identificar as figuras alvejadas. Atualmente muitos protestos são feitos pela comunidade na hora de malhar o Judas, e daí já podemos esperar o que vamos ver em 2016.

A perda da identidade cultural

Sentimos falta dessa manifestação no período da Semana Santa, muitos nem lembram, ou comentam sobre essa brincadeira que divertia e diverte a criançada nas comunidades interioranas do Brasil. Principalmente na quinta-feira e Sexta-feira Santa. O ápice sempre é no Sábado de Aleluia, onde a garotada com paus, batem nos bonecos e aniquilam por completo o boneco que representa Judas Iscariotes. Em algumas cidades, queimam por completo o manequim feito com tanto capricho pela comunidade, para não deixar passar em branco a velha tradição.

Lamentável constatarmos um desinteresse de várias cidades brasileiras em manter vivas algumas tradições. A nossa identidade cultura é algo muito importante.

Para a Sociologia, a cultura é o conjunto de características que o indivíduo herda ou aprende em seu convívio social, com sua família e os demais indivíduos que fazem parte do seu dia a dia. Essas características servem para que possamos nos comunicar, de forma a compreender e sermos compreendidos por outros que fazem parte de nossa sociedade, e definem grande parte de nossos valores e normas, determinando o que é e o que não é desejável, em termos de comportamento, em nosso meio social. A nossa identidade cultural está diretamente ligada com o que somos e como vemos o mundo. Ela começa a ser moldada no momento em que nascemos e é construída até o momento em que morremos. Os valores e as normas que estão ligados a uma cultura dentro de uma sociedade ou comunidade comum podem variar, e até mesmo serem contraditórios: alguns grupos de indivíduos podem basear suas experiências de vida em sua religiosidade, enquanto outros se baseiam em uma visão puramente científica do mundo.

É importante entender que nossa cultura não é algo fixo ou imutável, ela está sempre se moldando de acordo com nossas experiências em sociedade.

Nortear é preciso!

 

Fotos retiradas do Google

Vídeo do You tube

 

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Norteando a cultura por Gin Santos

Gin Santos

Ginaldo Santos, nasceu em Piranhas, no sertão de Alagoas. Aprendeu a gostar de arte através da sua avó Antonia Silveira (folclorista). Desde criança adorava dançar. Nos anos 90 mudou-se para Maceió e foi estudar ballet clássico, formou-se pela Escola de Ballet Eliana Cavalcanti, onde integrou o único grupo com técnica profissional em dança do estado, o saudoso Balé Iris de Alagoas. Logo após ingressou no curso de Licenciatura em Artes Cênicas - Teatro pela Universidade Federal de Alagoas. Trabalhou como arquivista de imagens no Instituto Zumbi dos Palmares - IZP, na TV Educativa de Alagoas e Rádio Educativa FM. Atualmente é professor efetivo de Artes na rede educacional de ensino do estado de Alagoas e Coordenador de Cultura da cidade de São Luis do Quitunde.
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