A Semana Santa e algumas tradições. Que não cheguem ao fim.

A fé do povo

12/03/2016 | 18:03   
Semana Santa Semana Santa

A pergunta que todos fazem: - Quando morreu Jesus?

“Jesus Cristo morreu às 03:00 horas da tarde de sexta-feira, dia 03 de abril do ano 33 d.C, e ressuscitou às 04:00 horas da manhã do dia 05 de abril. Para obter essa informação, os astrônomos recorreram antes à Bíblia, e então começaram trabalhando com alguns programas de computador. No entanto, o Novo Testamento diz que Jesus morreu no dia após a primeira noite de lua cheia após o equinócio de Verão.” Seguindo a publicação feita em 18/05/2003, o jornal Pravda da Romênia noticiou que dois astrônomos: Liviu Mircea e Tiberiu Oproiu, após pesquisa, declararam que possivelmente a data da morte de Cristo teria sido essa. Não estamos aqui afirmando que essa data seja a verdadeira, porém mais uma versão dos grandes estudiosos.

A pergunta permanece sendo feita, e várias são as versões dos pesquisadores. Porém a fé permanece viva em cada canto do planeta terra. No caso da nossa região Nordeste, esse período fica bem mais sensível, emotivo e cheio de tradições, que diferenciam umas das outras, mas que tem como foco principal o filho de Deus, e a sua Paixão e Morte.

Jesus morreu! Grita uma criança no alto da ladeira, em plena Sexta Feira Santa, as cidades já estão de luto desde a Quaresma, as imagens nas igrejas católicas já estão cobertas com pano roxo. Pano roxo?  Muitos não conhecem o significado do pano roxo que cobre as imagens e crucifixos nas igrejas.

Vamos explicar:

O Pano roxo na Semana Santa

É costume muito antigo na Igreja, a partir do quinto Domingo da Quaresma – também chamado de Primeiro Domingo da Paixão, na forma extraordinária do Rito Romano, (sendo na verdade o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, o Segundo Domingo da Paixão) – cobrir com pano roxo as cruzes, quadros e imagens sacras. As cruzes ficam cobertas até o final da liturgia da Sexta – Feira Santa, os quadros e demais imagens até a celebração da noite de Páscoa. 

O sentido profundo desse ato de cobrir as imagens sacras, fundamenta-se no luto pelo sofrimento de Cristo Nosso Senhor, levando os fiéis a refletir, ao contemplar esses objetos sagrados cobertos do roxo, que simboliza a tristeza, a dor e a penitência. O ápice do despojamento ocorre após a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-Feira Santa, quando retiram-se as toalhas do altar. A cruz coberta lembra-nos a humilhação de Nosso Senhor Jesus Cristo, que teve de ocultar-se para não ser apedrejado pelos judeus, como nos relata o Evangelho segundo São João.

A matraca

Durante três dias - quarta, quinta e sexta-feira - os sinos das igrejas católicas emudecem, silenciam. É a vez das matracas. Nesses três dias, só dá elas; só elas tocam. Nos aproximamos cada vez mais da Semana Santa, e já é possível perceber algo diferente no ar, algo que pede que nosso coração se volte para Deus. Na mesa do altar e nos paramentos do sacerdote, os tons de roxo nos convidam a interiorização e nos chamam a penitência. A noite, quebra seu silêncio costumeiro com as vozes que cantam "pela virgem dolorosa...", passos que caminham na Via-Sacra, meditando os passos do Cristo salvador.

Para os fiéis que atentos se preparam rezando a cada semana a via-sacra na comunidade um novo som passa a ressoar nos ouvidos, um som oco, estridente que convida a penitência: o som da matraca.

A matraca é um  instrumento utilizado na Quaresma e na Semana Santa e pela força de seu som não tem como passar desapercebida ao ressoar no silêncio da noite. É um instrumento muito antigo, utilizado geralmente nas pequenas cidades de interior onde o sino da torre da igreja, com seu badalar dita o ritmo tranquilo do povo simples. Com a chegada do tempo de conversão, e principalmente da Semana Santa, os sinos se calam, dando lugar ao som da matraca.

De fato, com o término da Celebração da Ceia do Senhor na Quinta-Feira Santa, cessam os sons festivos, os sinos emudecem e a Igreja acompanha apreensiva e atenta cada passo do Filho de Deus em direção a cruz. O som oco da matraca substitui a festividade dos sinos. Na Sexta Feira da Paixão com o Cristo, esperança da humanidade pendendo na cruz do calvário, a matraca chora a morte do Filho enviado e ecoa um triste lamento de angústia.

O Sábado Santo é o dia do vazio, onde o silêncio deveria falar mais alto. Não há mais esperança, pois a esperança do mundo jaz num sepulcro escavado na rocha. Aqui a matraca nos lembra a dor do vazio, do nada, da perda e da desolação.

Com o cair da tarde e o pôr do sol a matraca, esse instrumento de som forte e oco, pode enfim descansar de seu pranto, certa de ter cumprido sua missão, para ceder lugar aos sinos que cantam alegres e jubilosos, rompendo todos os silêncios para aclamar que o Filho de Deus, nossa esperança não está mais no sepulcro, mas ressuscitou!

O Menino grita mais uma vez: - Jesus ressuscitou! Vamos malhar o Judas?

Continua.

Imagem retirada do google

Vídeo do Youtube

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Norteando a cultura por Gin Santos

Gin Santos

Ginaldo Santos, nasceu em Piranhas, no sertão de Alagoas. Aprendeu a gostar de arte através da sua avó Antonia Silveira (folclorista). Desde criança adorava dançar. Nos anos 90 mudou-se para Maceió e foi estudar ballet clássico, formou-se pela Escola de Ballet Eliana Cavalcanti, onde integrou o único grupo com técnica profissional em dança do estado, o saudoso Balé Iris de Alagoas. Logo após ingressou no curso de Licenciatura em Artes Cênicas - Teatro pela Universidade Federal de Alagoas. Trabalhou como arquivista de imagens no Instituto Zumbi dos Palmares - IZP, na TV Educativa de Alagoas e Rádio Educativa FM. Atualmente é professor efetivo de Artes na rede educacional de ensino do estado de Alagoas e Coordenador de Cultura da cidade de São Luis do Quitunde.
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