Miss Paripueira: um tipo popular

12/02/2018 | 01:17   
Fotografia cedida por Fernando Alves, folião que esteve presente no bloco criado em homenagem a Miss Paripueira. Fotografia cedida por Fernando Alves, folião que esteve presente no bloco criado em homenagem a Miss Paripueira.

No rol do folclore, os tipos populares, representações de identidades territorializadas transformadas em verdadeiros emblemas e ícones regionais, encontram-se distribuídos por toda Alagoas. No litoral norte, algumas figuras passaram a aparecer na literatura local das comunidades associadas ao campo do folclore e do pitoresco, sendo retratadas como elementos intrínsecos a excentricidade das cidades.

No século passado, a cidade de Paripueira foi palco da irreverência da Miss Paripueira, que não se envergonhava em revelar publicamente sua extravagância e originalidade, tornando-se no âmago da sociedade alagoana a Miss que fugia à regra. Sua existência exclamativa interveio na história transformando-a em uma verdadeira personalidade.

Ambrosina Maria da Conceição era seu nome de batismo. Segundo relatam alguns historiadores, Ambrosiana nasceu em São Luís do Quitunde e teve suas primeiras aparições em Paripueira, nas procissões de Santa Rita, santa venerada entre os católicos. Devota e peregrina, circulava as praias e ruas do lugarejo, levando consigo a imagem de sua devoção sobre flores em uma bandeja, e pedia contribuições para uma inacabável novena que, sabe-se lá, onde aconteceria.

Reza a lenda que foi em um domingo de carnaval que Ambrosina foi consagrada a figura de destaque da pacata cidade do interior, com faixa e coroa, em cima de um jipe, tendo sido aplaudida em toda trajetória do desfile, assumindo seu novo posto, de beata à Miss Paripueira.

Ambrosina, com seu jeito peculiar, destacava-se por sua autenticidade.

E, para minha surpresa, que há muito já desejava falar para os meus leitores sobre esta celebridade do litoral alagoano, descobri no último domingo (11/02), pelos stories do Fernando Alves no Instagram – fotógrafo alagoano que cativou minha admiração pelo seu talento -, que o espírito de alegria da Miss Paripueira continua sendo perpetuado entre os blocos de carnavais e pelas novas gerações daquele lugar – o que para mim, pesquisador das tradições populares que sou, é uma alegria tamanha.

Figura inusitada, de elementos intrínsecos, a Miss Paripueira, ainda que não esteja presente fisicamente entre nós, imortalizou-se tendo seu legado lembrado, na terra onde seu reinado começou, por um bloco carnavalesco que leva seu nome. Isso faz manter vivo um império, consagrado na história, de várias composições e manifestações populares, o qual os súditos fazem questão de celebrar.

Vinte e dois anos após sua morte, Miss Paripueira é lembrada até hoje, sendo homenageada e eternizada na memória dos alagoanos!

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Folclore do Norte por Luiz Cleysson

Luiz Cleysson

É acadêmico de Direito no Centro Universitário Cesmac.
JBuarque

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