Superstição e Folclore Alagoano

01/07/2017 | 00:00   
Imagem que ilustra capa do livro Superstição no Brasil de Luís da Câmara Cascudo, ícone do folclore brasileiro.FONTE: Arquivo Família C. Cascudo (RN) Imagem que ilustra capa do livro Superstição no Brasil de Luís da Câmara Cascudo, ícone do folclore brasileiro.FONTE: Arquivo Família C. Cascudo (RN)

Ao levar em consideração que o Norte das Alagoas foi o principal núcleo provedor de boa parte da colonização e desenvolvimento econômico do Estado de Alagoas, pode-se considerar que, desde o princípio, este espaço territorial boreal sempre fora fecundo e, ainda hoje, permanece vital, fértil.

Dentre tudo isso, a superstição é e continua a ser uma cultura comum e própria do povo nortista. Ciências (ou quase ciências), tais como a numerologia, astrologia e suas fragmentações, como os quiromantes, adivinhos, horóscopos e previsões do futuro, pelas quais as pessoas procuram saber os dias bons para casar ou viajar, por exemplo; sentidos, enfim, respectivamente comuns, que sustentam a vida do homem como ligada a astros da esfera celeste. Esta hipótese, supostamente supersticiosa, ainda atualmente é disseminada e explorada.

A superstição ainda se mantém desconsiderada aos olhos dos estudos científicos, porém; ainda é difícil, por outro lado, e eis a verdade, alguém querer passar por baixo de uma escada... ou desacreditar que criar pavão porque é bicho agourento... que quando a orelha coça estão falando mal da sua vida... se a palma da mão direita coçar é indicativo de dinheiro certo.... se ocorre uma topada é sinal de que, no lugar do incidente, há uma botija... e calouro entrar na faculdade com o pé esquerdo em hipótese alguma... — todas essas práticas são meras superstições?

Mesmo diante de tantos avanços e ceticismos, há quem se admire com estas coisas todas, de muito valor, no entanto, para aqueles que se consideram uns desconfiados de tudo nesta vida... Embora vivamos em tempos cada vez mais avançados, tecnológicos, o fato é que, reconheçamos, muita gente não dá mais crédito a esse tipo de crença, embora haja sempre terror quando uma rajada mais forte de vento abre violentamente uma janela, quando o relógio acaba de fazer soar as doze badaladas da meia-noite.

Quando se refere a superstição, logo se inclui neste rol a decifração dos sonhos. Aí o campo se enriquece até cientificamente, inquietando até mesmo um cérebro como o de Freud. Inclusive até, existe uma série de livros que orientam como interpretá-los. Um exemplo: se uma pessoa sonha arrancando um dente é porque haverá uma morte na família e se o sonho for com defunto acontecerá casamento na casa.

Não há povo que não seja supersticioso; uns mais, outros menos. Outras regiões do Brasil, possuidoras de elevada cultura, também estão inseridas nesse campo do conhecimento e o muito de interessante existe a depender do lugar. É justamente no sentido de práticas supersticiosas que se podem encontrar as mais atraentes expressões folclóricas do Estado alagoano. Tradições seculares vindas do início de nossa colonização, sempre indicando ao homem alagoano de hoje o caminho de sua origem.

A temática da superstição compreende a elaboração do folclore local, efeito da disseminação das massas culturais portuguesas baralhadas às holandesas, africanas e indígenas, as quais, desde o Império — neste consagrado laboratório cultural e étnico-racial —, imprimiram a fórmula de uma identidade que se pode flagrar alagoana, e quem sabe até a mais bonita mesmo de todas. Tudo, germinado, parido, elaborado em meio ao cenário canavieiro de exploração da terra, perseguição aos índios, escravidão dos negros, senhorios, boemias, sincretismos religiosos e... superstições.

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Folclore do Norte por Luiz Cleysson

Luiz Cleysson

É acadêmico de Direito no Centro Universitário Cesmac.
Ciclo Peças

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